Não lembro exatamente como tudo começou, apenas sei que hoje não consigo mais controlar as ideias, essas tais ideias, que não param de aflorar a cada minuto em minha já antes perturbada cabecinha. No começo até achei legal, pensei que estava tendo surtos de criatividade literária, seria eu uma iminente escritora famosa? Best selers? Autógrafos? Rios de dinheiro? Ôba! Isto seria demais! Então deixei tudo fluir, as ideias vinham em forte correnteza, e eu as escrevia, escrevia, escrevia. Dias se passaram e algo ainda mais estranho veio junto com o incontrolável desejo de escrever: a também incontrolável vontade desvairada de queimar tudo aquilo que escrevia. Era mesmo um prazer, quase sexual, pegar uma caneta e escrever, deixar tudo transbordar naquela folha em branco, era como as preliminares...Depois acender a chama, ver tudo virar cinzas, ali era o gozo.
Mas aquilo foi se tornando sério demais, um tormento, já não conseguia mais trabalhar, comer, nem dormir, a todo instante um turbilhão de ideias me assaltavam, de todos os gêneros, de todas as cores, sabores. E eu ali, descontrolada, dia a dia toda hora escrevia, escrevia, no ônibus, no trabalho, na cozinha. E o gozo sempre vinha nas belas chamas, indecentes.
As coisas já fugiam há muito do controle, fui demitida, o namorado pulou fora, amigos então, nem lembro mais quem eram, enclausurada em casa, no meu ninho, não comia, só bebia. E escrevia. E queimava tudo que escrevia. A casa toda, um mar de cinzas e poesias, e aresias. Nas paredes, nos móveis, no chão, palavras, apenas palavras, papel aqui já não havia.
Era uma manhã de verão, pássaros cantando, céu azul. E um burburinho de ideias fresquinhas já aflorando, mais tormento.
Porém, hoje, o fim da tormenta.
Sentada no chão de cinzas, delineei cada palavra com especial cuidado, na pele delicada, acetinada, o mais precioso dos papéis. E assim um fluxo de conceitos, e pré-conceitos, toda a história contida escorreu sem entraves, sem atropelos, o texto perfeito, a preliminar perfeita...E agora o gozo. Ah, o gozo...Aquele jamais sentido, um mar de chamas, fogo vivo, lindas labaredas lambuzavam todo meu eu.
Meu eu.
O final perfeito.
A ideia perfeita.
Eli

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ResponderExcluirisso é pra gosta de poesia...
ResponderExcluireu gosto!
...
=]
É um pouquinho de mim.
ResponderExcluir.
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Obrigada! =)