Moro no apartamento térreo de um pequeno prédio, num bairro pouco habitado e muito tranquilo. Todas as janelas, portas e varanda são gradeadas. Por estes motivos durmo tranquilamente com a janela do meu quarto aberta para sentir a brisa da noite me tocando suavemente. Nesta madrugada acordei com uma sensação estranha de que estava sendo observada, isso nunca havia acontecido antes. Sonolenta, olhei pela janela e na mesma hora fiquei paralisada. Avistei ali do lado de fora, a figura de um palhaço me olhando fixamente e sorrindo, ele vestia a camisa da seleção brasileira e sua peruca era igual a do bolzo (sim, eu sei que isso soa tendencioso... talvez o medo da vida real esteja tão grande que acabou enraizando no meu subconsciente). Mas a verdade é que na hora fiquei paralisada de medo, não conseguia me mexer. Tentei gritar pelo meu filho, pois estava ouvindo ele acordado em seu quarto que fica de frente ao meu, e ambas as portas estavam abertas. Não consegui emitir nenhum som, não conseguia mover nenhum um dedo. O palhaço não parava de sorrir maliciosamente, e começou a apontar o dedo para mim lentamente, depois de alguns segundos, acenou e foi se afastando sem dar as costas. Quando ele sumiu finalmente consegui me mover e levantai rapidamente com um pulo, estava com o coração palpitando e ainda morta de medo. Saí correndo pela casa para me certificar de que estava tudo trancado e de que, se aquela coisa voltasse, não pudesse entrar. Meu filho ao perceber meu comportamento estranho, veio perguntar o que estava acontecendo. Eu não conseguia explicar, não conseguia dizer nada, estava em pânico. Só queria trancar tudo e empurrar o sofá até a porta da sala numa atitude boba movida pelo medo. Foi quando passando pelo corredor, avistei de relance uma sombra se movendo no quarto do meio que uso como escritório. Parei na mesma hora, e quando olhei estava ele lá, atravessando não sei como, por entre as grades da janela, já praticamente dentro do quarto. Aquele mesmo sorriso medonho rasgando seu rosto. Paralisei na mesma hora. Gelei dos pés à cabeça, mas desta vez consegui dar um grito alto de tanto terror. Acordei em minha cama suando frio, o coração disparado, invadida por um medo real, olhei imediatamente para a janela, não havia ninguém ali. Minha cabeça latejava de dor. Meu filho entrou correndo perguntando o que estava acontecendo, por que eu havia gritado? Respondi que não tinha acontecido nada, apenas havia tido um pesadelo. Levantei, bebi água, tomei um remédio para a dor e voltei para o meu quarto. Não acredito em coisas sobrenaturais, então deixei a janela aberta assim como estava antes. Apenas não olhei mais para ela. Então deitei, e adormeci com a mesma sensação estranha de que estava sendo observada...